O comércio eletrônico brasileiro amadureceu. Afinal são quase 15 anos de história, desde as primeiras experiências mais sérias no segmento. Hoje, nenhum grande grupo varejista de expressão está fora do canal web para vendas, que já representa 2% do total de vendas do varejo, em nosso país. Pode parecer pouco, mas se considerarmos que dez anos atrás, esta participação era de apenas 0,2%, temos a real perspectiva da relevância da Internet para o universo das compras. Seguindo o ritmo recente de crescimento, chegaremos a 5% de todo o consumo de bens, através da Internet nos próximos cinco anos.
Praticamente tudo pode ser comprado através da Internet, sendo heterogênea a penetração deste canal por segmento de produto. Assim, por exemplo, artigos como computadores, eletrônicos são vendidos preponderantemente pela web, outros como roupas, perfumes ainda tem penetração baixa no canal. É um processo evolutivo. Hoje, poucos discordam que mesmo estes segmentos ainda pouco desenvolvidos terão parte significativa de suas vendas através do comércio eletrônico.
No lado dos consumidores, temos um mercado em crescimento exponencial. Somente no varejo on-line já são mais de 23 milhões de brasileiros usando a Internet para comprar. Se considerarmos a compra de passagens aéreas e o recente fenômeno das compras coletivas, este número deve ser ainda maior. Estamos prestes a observar uma mudança histórica, pois desde a origem da Internet no Brasil, o porte do número de usuários do homebanking sempre foi superior ao numero de compradores on-line. Mantendo-se este ritmo na curva de crescimento dos dois grupos, o universo de compradores pela Internet, será superior ao do homebanking já em 2013, antes da Copa do Mundo no Brasil, evento, que certamente agregará mais propulsão aos negócios on-line no país.
No lado varejista on-line, importantes evoluções são observadas, como o aumento do número de lojas apresentando faturamento anual superior a R$ 100 milhões através da Internet, com isso havendo uma saudável, ao menos para o mercado, diluição da participação dos principais líderes do segmento. Outra transformação se refere à especialização dos vendedores on-line. No início do comércio eletrônico, alguns dos grandes players do mercado, nasceram como livrarias, e depois abriram seu leque de oferta, se tornando lojas de departamento. Hoje, as lojas de nicho são a tendência do momento. Temos lojas especializadas na venda de vinho, perfumes, material esportivo, ar condicionado e até mesmo frauda para bebes. O mercado aumenta, mas a competição entre lojas nunca foi tão acentuada, o que certamente é positivo para o consumidor final.
Com este cenário, estamos prestes a observar nova fase virtuosa do comércio eletrônico no Brasil caracterizado pela eminente entrada de grandes players globais ainda ausentes no mercado, na melhoria do nível de serviço pela adoção de novas tecnologias tanto de marketing como de meios de pagamento, na inclusão do mobile como parte integrante da experiência de compra on-line, do uso efetivo das plataformas multi-canais de operação lojista, entre outras inovações ou novidades positivas aos negócios e mercado.
Gastão Mattos
Gastão Mattos é Engenheiro de Produção formado e pós graduado pela Escola Politécnica da USP. Trabalha há mais de 25 anos em empresas de meio de pagamento como Credicard e Visa, onde foi Vice Presidente de Marketing até 2002. Naquele ano criou seu próprio negócio, a GMATTOS Projetos de Marketing e desenvolveu projetos para empresas como Philips, Cinemark, Redecard, Visanet/Cielo, Citibank, Paypal entre outros. No período entre 2003 e 2005, foi eleito presidente da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, atuando até hoje como consultor da entidade no apoio ao Comitê do Varejo On-line e para o Movimento Internet Segura. Em 2006, assumiu a presidência da MCash Pagamentos Móveis, empresa especializada em transações de pagamento por meio de celulares.