Entrevistamos
nesta edição a Dra. Vanda Scartezini,
Assessora Especial da Secretaria de Ciência e Tecnologia
do Estado de São Paulo.
Quais as principais iniciativas da Secretaria de
Ciência e Tecnologia pelo desenvolvimento das Tecnologias
da Informação no Estado de São Paulo?
O governo de SP tem diretrizes que podem ser traduzidas
em objetivos estratégicos. Dentre estas diretrizes,
o Governo Empreendedor, com ações voltadas
ao desenvolvimento sustentado e à geração
de emprego e renda, é o mais presente em nossa Secretaria.
Aplicado ao setor de TICs, o Governo Empreendedor atua:
- Na promoção da produção e
do uso da tecnologia digital na melhoria dos processos e
na disseminação do conhecimento visando melhor
competitividade dos setores da economia e portanto sua sustentabilidade;
- Na atualização constante da formação
de RH nestas tecnologias, visando sua empregabilidade e
equiparação em qualidade e produtividade aos
cidadãos dos paises desenvolvidos;
- Na oferta de acesso gratuito com conteúdo dirigido
e de interesse da sociedade, em todas as regiões
do Estado;
- No desenvolvimento de soluções de e-gov,
em parceria com o setor privado, melhorando qualidade de
vida e tornando a gestão da coisa pública
controlável pela sociedade.
Em cada uma destas vertentes estamos trabalhando tanto
diretamente, como em conjunto com outras Secretarias, como
é o caso das questões que abraçam o
Governo Eletrônico.
No combate à exclusão digital, como
a Secretaria atua?
Trabalhamos muito a questão, fundamentalmente dentre
os mais jovens. A idéia é usar o ferramental
tecnológico, a inclusão digital, a serviço
da inclusão social do jovem, muito mais ampla a nosso
ver.
Existem algumas ações neste sentido, onde
podemos destacar o ensino de tecnologias da informação
mais sofisticadas em escolas técnicas públicas
de segundo grau e a parceria com o Acessa São Paulo
(http://www.acessasaopaulo.sp.gov.br), criando oportunidade
de disseminar conhecimento digital, ou ainda no trabalho
do site cidades da USP que envolve ONGs para o uso crescente
de ambientes digitais.
Qual a relevância do setor de TI para o desenvolvimento
do país?
Duas facetas desta importância:
- A financeira: como exemplo, o processamento tradicional
de IPVA custava aos cofres públicos R$ 21,38, enquanto
o eletrônico custa R$ 0,66. A economia anual do Estado
de SP é de R$442.890.000. Um país desenvolvido
no setor não apenas contém custos aplicando
TICs, mas exporta tecnologia e produz receitas.
- A filosófica: a maior importância das TICs
está no fato de somente ela poder preparar um País
e sua gente para uma completa apropriação
da sociedade do conhecimento.
O que falta para a construção de
uma política consistente de fomento às TICs
no Brasil?
Alguns pontos fundamentais que passo a enumerar:
1) Financiamento ao comprador de software. Precisamos de
um Finame para software como temos em hardware.
2) É preciso encontrar também uma solução
para o financiamento das exportações, e identificarmos
todas as condições reais de barreiras que
encontramos em outros países, para melhor negociarmos.
3) O setor de software está muito pulverizado em
instituições que dizem representar o setor,
mas não temos uma instituição de peso
que de fato o represente. Isso diminui a força do
setor no mercado interno e externo.
4) Precisamos uma política de compras governamentais
que privilegie a PME de software e serviços associados.
Trata-se de uma solução adotada pelo Governo
dos EUA para proteger suas empresas crescentes.
5) É preciso que o setor tenha maior participação
nas negociações internacionais.
6) Regras sempre claras de taxação. O aumento
do Cofins,agora, por exemplo, é um tiro no pé
de qualquer política de software ou programa para
atrair investidores e parceiros neste jogo.