Nossa
entrevistada desta semana é Patrícia
Peck, que a partir desta data passa a integrar
a equipe da Camara-e.net, como Diretora de Planejamento.
Patrícia fala aqui sobre sua experiência profissional
e qual será sua contribuição aos sócios
da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico.
Patrícia, fale sobre sua formação
e experiências profissionais.
Sou formada em Direito pela Universidade de São
Paulo, com extensão em Mercados Emergentes na Harvard
Business School e MBA em Marketing pela Madia Marketing
School. Atuo como consultora especialista em Direito Digital
e gestão de risco em meios eletrônicos, autora
do livro Direito Digital, pela Editora Saraiva. Atualmente
sou conselheira do ITA para Segurança de Informação,
assino a Coluna Digitalis no IDG Now, e tenho artigos publicados
na About, M&M, WebInsider e outros. Minha carreira envolve
foco em três paixões: planejamento estratégico,
negócios e tecnologia. Por isso, desenvolvi trabalhos
para grandes empresas multinacionais como Young&Rubicam
e Fidelity Investments, também aplicados em empresas
próprias, uma delas foi, inclusive, responsável
pelo desenvolvimento do primeiro projeto de TV Interativa
da Portugal Telecom com a Microsoft em Portugal.
Como advogada e executiva ativa no mercado de TI
brasileiro, qual a sua visão sobre as políticas
publicas e regulatórias adotadas nesta área?
Assim como o mercado está amadurecendo, as políticas
governamentais na área de e-Gov e inclusão
digital também vem amadurecendo. Inclusive, a ultima
iniciativa que vem sendo discutida é a questão
da acessibilidade digital via TV com recursos do FUST. Acredito
que é necessário um planejamento conjunto
da iniciativa privada e do governo para o crescimento sustentável
do Brasil Digital, sendo fundamental apoio e incentivo a
desenvolvimento e aquisição de tecnologia
da informação. Uma política para gestão
de bancos de dados, assim como uma política educacional
digital, para criar cultura de segurança de informação
e uso de ferramentas tecnológicas, é mais
importante que fazer leis de curto prazo que correm o risco
de nascerem obsoletas. O caminho viável se passa
justamente pela auto-regulamentação e pela
organização do mercado através de associações
como a Camara-e.net, com capacidade de representação
não apenas de interesses de grupos mas também
de proposta de projetos e soluções práticas
para os temas em debate. Questões como spam, clonagem
de e-mail, fraude em Internet banking, entre outras, envolvem
a discussão sobre a responsabilidade civil dos gestores
de dados, uma vez que a maior riqueza da sociedade digital
são justamente os dados.
De forma geral, como você enxerga o desenvolvimento
das TICs no Brasil?
Para o Brasil é estratégico fomentar o desenvolvimento
das TICs dentro de um cenário competitivo e globalizado,
em que países como Índia e China estão
muito mais avançados que nós. A base disso
se passa por acessibilidade a tecnologia e acima de tudo,
instrução. A capacidade de capilarizaçao
dentro das pequenas e médias empresas é o
caminho para acelerar este crescimento e posicionar o Brasil
como um desenvolvedor para dentro, abastecendo mercado interno
de modo mais customizado, e para fora, gerando divisas e
troca de know-how para modelos que podemos exportar com
grande competência como o de segurança em eleições,
Internet banking, comércio eletrônico, certificação
digital, integração canais industria automotiva,
entre outros.
Como este desenvolvimento pode ser acelerado por
uma entidade como a Camara-e.net, e como você, em
particular, contribuirá neste processo?
A Camara-e.net tem um papel fundamental como articuladora
e catalisadora de iniciativas e interesses do mercado, aproximadora
e gestora da interface de contato de empresas brasileiras
com o poder público, em questões voltados
para investimento em inclusão digital e desenvolvimento
do comércio eletrônico e da capacitação
profissional digital. Meu papel na Camara-e.net, como Diretora
de Planejamento, envolve contribuir nessas áreas
assim como agregar valor em termos de geração
de conteúdo, participação e propositura
de políticas públicas para o setor, assessoria
aos Associados em questões de Legal Strategy, com
realização de cursos e workshops e criação
de uma Camara-e.net também voltada para a pequena
e média empresa, entre outros projetos especiais
que fomentem o crescimento do mercado digital e do comércio
eletrônico.
Fala-se muito, hoje, em sociedade digital, sociedade
da informação. A terminologia é apropriada
à economia brasileira?
Quando falamos em sociedade digital não estamos
falando de tecnologia, estamos tratando de uma nova forma
de agir do ser humano, que passa a se relacionar, assumir
obrigações e responsabilidades por vias eletrônicas,
em que clicks, e-mails, sms, e tudo o mais que está
por vir através de interface gráfica, com
ou sem o uso de dispositivos, com ou sem fio, são
ferramentas de geração de negócios,
de trabalho, de relacionamento familiar e pessoal. Nesta
evolução, em que tudo é dados, a capacidade
competitiva e a rentabilidade das empresas se passa pelo
nível de inteligência de gestão destes
dados, para dentro com funcionários, parceiros e
fornecedores e para fora com consumidores, prospects, comunidade,
governo, e globalmente falando, com o mundo. Uma empresa
pode não ter sede física e ser global tendo
um site. É em trabalhar com as empresas neste cenário
de negócios que reside a proposta da Camara-e.net,
com a qual eu tenho a honra de agora contribuir.