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Camara-e.net criou recentemente o Comitê
Setorial de Seguros, com objetivo principal de consolidar
e otimizar as práticas já existentes do comércio
eletrônico de seguros. Nesta edição, entrevistamos
o coordenador deste comitê,
Manuel Matos,
fundador da Via Internet S.A., empresa especializada em estratégias
de e-business e e-commerce para o setor de seguros.
Como se iniciou o processo para a criação
deste comitê?
O comitê se reuniu pela primeira vez em São
Paulo em julho deste ano, com presenças importantes
de empresas como AGF, Aliança do Brasil, AON Affinity,
AON Risks, Brasilprev, Clube de Vida em Grupo de SP, Hannover,
Icatu-Hartford, MAPFRE, Porto Seguro, Real Seguradora, Santander
Seguradora, Sistemas & Seguros, Sul América,
Unibanco AIG, Via Net Seguros & Previdência Online,
VVD Corretora de Seguros e Via Internet S.A.
O encontro reafirmou um paradigma às vezes questionado:
a necessidade da cooperação mútua entre
corretores e seguradoras para impulsionar o comércio
eletrônico de seguros. Esse é um grande passo
no sentido de se sanar a preocupação dos profissionais
corretores de serem colocados à parte no processo
de vendas de seguros pela internet. O Comitê Setorial
de Seguros da Camara-e.net nada mais é do que o reflexo
do crescente interesse do mercado pela comercialização
on-line de seguros.
Como está atuando o mercado de seguros on
line nesse momento?
De acordo com dados do "quem é quem em seguros
on-line", hoje já existem aproximadamente 1800
sites de corretores, 45 sites de empresas que atuam no ramo
de seguros e 16 de previdência e vida. Há,
ainda, 9 extranets para corretores indexadas, iniciativa
que confirma a preocupação das maiores seguradoras
com a inserção tecnológica de sua principal
força de vendas e com a oferta de subsídios
para as operações on-line.
Além disso, outras empresas buscam ações
mais particulares para incentivar seus corretores a participarem
do grande boom do comércio eletrônico. A Icatu-Hartford,
por exemplo, criou um seguro eletrônico especial para
corretores, enquanto a Unibanco AIG oferece um bônus
para os profissionais que enviarem suas propostas pela internet.
Esses são apenas dois exemplos entre as inúmeras
atividades - como cursos, seminários, workshops,
facilidades, informações, prêmios e
descontos - implementadas nesse setor.
Além da iniciativa das seguradoras e corretores,
outro importante serviço vem cooperando para o crescimento
do comércio eletrônico de seguros: o Internet
Banking. Embora os bancos sejam os maiores concorrentes
diretos das seguradoras, o serviço que estes prestam,
por meio do Internet Banking ao mercado eletrônico
de seguros, é essencial para impulsionar qualquer
agente interessado no ramo. Nos sites de Internet Banking
do Bradesco, do Itaú, do Unibanco e do HSBC, por
exemplo, podemos encontrar links e banners para o serviço
de seguros oferecidos pelos mesmos.
Qual a importância disto? E quem ganha com
esse serviço do Internet Banking?
O mais importante é a informação,
a conscientização e a educação
dos consumidores. Todos ganham com isso: seguradoras, bancos
e corretores que aumentam suas vendas e o consumidor fica
informado das diferentes opções de contratação
de seguros.
O comércio eletrônico de seguros já
representa uma realidade e uma prática cada vez mais
familiar. Fato esse, comprovado em recente pesquisa, publicada
em maio deste ano, na qual três grandes seguradoras
- Porto Seguro, Itaú Seguros e Indiana Seguros -
estão entre os "Reis do E-commerce no Brasil".
A principal preocupação agora, de bancos,
seguradoras e corretoras reside na busca de práticas
para otimizar o processo e garantir que esse continue logrando
o surpreendente crescimento observado nos últimos
meses.
Quais são os objetivos do Comitê Setorial
Seguros?
O primeiro objetivo do Comitê Setorial de Seguros
da Câmara-e.net é a elaboração
de um conjunto de propostas para uma política setorial
de tecnologia da informação e comércio
eletrônico para a área de seguros, previdência
e capitalização. Além disso, o Comitê
irá fomentar todas as ações que visem
promover o empreendedorismo dos corretores de seguros como
ferramenta de desenvolvimento do setor e promover a inclusão
digital desses profissionais como instrumento viabilizador
do empreendedorismo.
Quais são as principais barreiras para se
praticar o e-commerce no segmento de seguros?
O e-commerce em seguros começa a ser praticado por
alguns corretores e pelos bancos, por meio do Internet Banking,
e a principal barreira é a ausência de produtos
on-line por parte das seguradoras, para que os corretores
possam comercializar em seus próprios sites. Ainda
existe uma visão paternalista das seguradoras que
preferem a comercialização nos seus próprios
sites, inibindo o empreendedorismo por parte dos corretores
independentes.
Como você vê a atuação
da SUSEP neste sentido?
A Superintendência de Seguros Privados - SUSEP tem
se mostrado ágil e muito prática quando o
assunto é Internet. É uma das molas propulsora
desse desenvolvimento. Atualmente aquela autarquia está
conduzindo estudos visando a simplificação
do processo de contratação de seguros com
a conseqüente redução de custos para
os agentes econômicos envolvidos.
Qual o papel do corretor de seguros considerando
um cenário totalmente on-line?
O papel do corretor de seguros permanece o mesmo: prospectar
novos clientes, gerar negócios e assistir da forma
mais eficaz possível seus segurados. Para tanto,
a capacitação em serviços on-line deixou
de ser uma opção para ser uma exigência.
A Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico,
atenta a esses movimentos, promoverá o amplo debate
entre seguradores e corretores e encaminhará suas
propostas aos órgãos competentes.