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Fórum Latino-Americano de Negócios Eletrônicos
O Fórum
Latino-Americano de Negócios Eletrônicos,
realizado pelo ITC
- International Trade Centre (UNCTAD/WTO),
Sebrae
e Câmara
Brasileira de Comércio Eletrônico,
com apoio do Ministério
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior;
Governo
do Estado de São Paulo; Correios;
ICA
- Institute for the Connectivity in the Americas;
e-Financial;
Varig;
Caixa
Econômica Federal; Cobra
Tecnologia; Intel;
Finep;
BKBG;
GBDe;
IPDI;
Terra
e B2B
Magazine; foi, como esperávamos, um
grande sucesso.
De 02 a 05 de novembro, cerca de 300 participantes, entre
os quais 80 estrangeiros, de mais de vinte nacionalidades,
discutiram políticas públicas, regulatórias
e de mercado sobre o fortalecimento da micro, pequena e
média empresa através do uso sistemático
das tecnologias da informação e comunicãção.
Este foi, com certeza, um dos mais importantes eventos de
formulação sobre TICs e MPMEs já realizados
no mundo, e seus reflexos serão sentidos, nos próximos
meses, em nível global, principalmente no âmbito
da Cúpula
Mundial da Sociedade da Informação (Tunis,
NOV/2005), cuja fase preparatória já
está em curso.
Aguarde os demais desdobramentos do evento, como as fotos
e as apresentações que serão publicadas
no site, assim como a Mensagem do Primeiro Fórum
Latino-Americano de Negócios Eletrônicos, a
ser divulgada nos próximos dias, bem como o Relatório
Final, que será publicado no começo de janeiro
próximo.
Agradecemos a todos que apoiaram e participaram desta importante
iniciativa.

Acesse o site Camara-e.net Móvel:
WAP: www.camara-e.net/wap
PDA: www.camara-e.net/pda
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Nesta semana, nosso entrevistado é Cid Torquato,
diretor executivo da Camara-e.net.
Qual foi a principal problemática discutida no Fórum
Latino-Americano de Negócios Eletrônicos?
O Fórum Latino-Americano de Negócios
Eletrônicos foi um evento de formulação,
durante o qual experts de toda a América Latina uniram
esforços e conhecimentos pela mesma causa: a inserção
das MPMEs na economia de seus países, bem como no
mercado global como um todo. O Fórum 2004 teve como
objetivo principal difundir o uso das Tecnologias de Informação
e Comunicação como ferramenta para alavancar
as exportações das MPMEs. Durante os três
dias do evento, foram discutidos os principais aspectos
relacionados à esta temática e os obstáculos
impostos às MPMEs quando decidem se digitalizar e
exportar. Discutimos também a elaboração
de políticas públicas e regulatórias,
a fim de garantir o desenvolvimento das MPMEs, já
que todos concordamos que estas são a base de qualquer
economia.
Como o Fórum Latino-Americano de Negócios
Eletrônicos beneficiará as MPMEs?
A principal contribuição do Fórum 2004
foi e será no sentido de contribuir para o desenvolvimento
de uma cultura de valorização das MPMEs, principalmente
em países em desenvolvimento, como o Brasil, onde
essas empresas não são devidamente valorizadas.
Os participantes, nacionais e estrangeiros, levarão
os conhecimentos gerados ou difundidos durante o Fórum
para os seus países, contribuindo para que sejam
absorvidos por seus governos e sociedades, em forma de estratégias
e ações, públicas e privadas, que garantam
o fortalecimento e uma maior inserção das
MPMEs em suas economias. Hoje, em países como o Brasil,
as pequenas empresas encontram sérias dificuldades
para nascer e sobreviver, já que nossos sistemas
jurídicos, tributários, fiscais e trabalhistas,
literalmente, conspiram contra as MPMEs. Este estado de
coisas tem que ser transformado, no sentido de valorizar
o pequeno e não beneficiar o grande, como hoje é
o caso.
E quais seriam os caminhos?
Na minha opinião, parafraseando Rui Barbosa, temos
que dar tratamento desigual aos desiguais, democratizando
o acesso à economia a quem mais pode contribuir para
o seu desenvolvimento sustentável, ou seja, a MPME.
No Brasil, cresce a consciência sobre o importante
papel da pequena empresa como base da economia, caracterizado
nas crescentes ações, públicas e privadas,
propostas nessa direção. Há poucas
semanas, chegou ao Congresso o projeto de Lei Geral da Micro
e Pequena Empresa, que, embora ainda muito tímido,
sinaliza uma crescente preocupação com as
empresas que, em qualquer economia, são as maiores
geradores de empregos e riqueza. O Sebrae faz, historicamente,
um excelente trabalho em prol das MPMEs, assim como Estados
e Municípios também estão se engajando
nessa cruzada de macro-inclusão do pequeno empresário
e empreendedor. A Camara-e.net está
se preparando para também oferecer sua contribuição,
se tornando inteligência e voz, no Brasil, principalmente
do que hoje chamamos de e-MPMEs, ou seja, daquelas empresas
já conectadas e partícipes da Economia Digital
no país.
Quantas empresas, hoje, operam com comércio eletrônico
no Brasil?
Difícil dizer, já que não temos estudos
e pesquisas concludentes sobre o assunto. Contudo, sabemos
que mais de 5 mil empresas operam com algum tipo de venda
on-line, recebendo com cartão de crédito.
Afora as milhares de empresas que usam apenas outros meios
de pagamento e aquelas que possuem sites não transacionais.
Calculo o número de empresas com algum tipo de vitrine
virtual na casa dos 400 mil, tendo em vista o número
total de domínios .br, hoje perto dos 600 mil. Ainda
há muito a fazer, visto que, no Brasil, temos cerca
de 5 milhões de empresas formais e algo em torno
de 15 milhões, se somarmos as informais. Inclusão
Empresarial, na nossa opinião, deveria ser uma das
grandes prioridades nacionais.
Quais os principais números das MPMEs divulgados
no Fórum?
Dos 5 milhões de pequenas empresas formais
que existem no Brasil, menos de 35% possuem algum computador.
Destas, menos de 40% têm acesso à Internet.
Em São Paulo e nos Estados mais desenvolvidos, esta
média sobe um pouco, aproximando-se dos 50% de empresas
informatizadas e, dessas, 50% com acesso à Internet.
O que afasta as MPMEs das TICs?
O custo de computadores, programas e conectividade continuam,
ainda, muito altos, impedindo que muitos empresários
adiem seus investimentos, optem pela linha cinza ou por
recursos limitados ou inadequados ao que necessitam. Contudo,
na minha opinião, o maior problema está em
recursos humanos e em conhecimento específico sobre
como melhor utilizar as TICs para melhorar os processos
de gestão da pequena empresa. Toda a cultura relativa
à informática, Internet e tecnologia da informação
em geral ainda está muito concentrada na estratosfera
corporativa, na maioria dos casos fazendo muito pouco sentido
para a realidade da pequena empresa. Assim, o empresário
da MPME não encontra conexão entre o que é
oferecido e o dia-a-dia do seu negócio. Nessa linha,
nossa imprensa e meios de comunicação em geral
não têm colaborado para a desmistificação
e deselitização dessas informações,
insistindo em uma cobertura com foco em lançamentos,
em gadgets e na idéia de tecnologia como um hype.
Note que todos os espaços editoriais, que de forma
sistemática falam de tecnologia, o fazem para o topo
da pirâmide, para os digerati, nunca para a sociedade
como um todo. Temos que procurar criar uma cultura de tecnologia
para MPMEs, que, com certeza, ajudará no desenvolvimento
desse mercado de tecnologia voltado para a base da pirâmide.
Como endereçar essas questões de Inclusão
Empresarial?
Se partirmos do pressuposto de que as MPMEs são
a base de qualquer economia, equacionar essas questões
deveria ser uma prioridade nacional. O que difere um país
desenvolvido de um não desenvolvido é exatamente
a participação das pequenas empresas no PIB
e na sua capacidade exportadora. Quanto mais desenvolvido
o país, mais fortes são as MPMEs e mais bem
estruturada é a base da economia. Estas são
as principais questões a serem endereçadas.
As TICs entram nesse processo como ferramental infra-estrutural
e estratégico para o aperfeiçoamento dos processos
de gestão empresarial e de participação
nos mercados, local e global, cada vez mais competitivos
e eletrônicos. Por outro lado, sempre defendemos que,
se pensarmos em Inclusão Digital da sociedade como
um todo, é através da digitalização
da pequena empresa que, com certeza, podemos acelerar o
processo de Inclusão Digital do cidadão. Além
dos benefícios à economia, geraremos demanda
por mão-de-obra qualificada, que aí sim terá
uma razão pragmática para se incluir. A inclusão
da micro, pequena e média empresa na Economia Digital
deveria estar no topo das prioridades do Brasil e dos países
em desenvolvimento como um todo.
Como a Camara-e.net pode colaborar nesse processo?
O papel da Camara-e.net é o de ser
a inteligência e a voz da Economia Digital no Brasil,
e neste caso não será diferente. Estamos trabalhando
para o fortalecimento de nossa parceria com o Sebrae, bem
como com o Correios, Banco do Brasil e Caxia Econômica
Federal, que são, hoje, os principais vetores da
Inclusão Digital no Brasil. Atuaremos no sentido
de gerar e difundir conhecimento de vanguarda sobre TICs
e MPMEs, bem como com ações e projetos de
fomento, que multipliquem os resultados que já estamos
obtendo. Um bom exemplo do trabalho já realizado
está no Ciclo de Seminários Comércio
Eletrônico para a Micro, Pequena e Média empresa,
que realizamos, por todo o Brasil, em parceria com os Correios.
Nesses casos, mais do que ensinar, estamos aprendendo a
conhecer empresas e as distintas realidades desse Brasil,
gerando uma base de informações que poucas
instituições possuem. Em 2005, ampliaremos
nossas ações voltadas à MPME, com uma
reedição do Ciclo de Seminários, bem
como cursos, palestras, publicações e projetos.
Estamos estudando a criação do Escritório
do Futuro, que servirá como um laboratório
para o que serve e o que não serve para a pequena
empresa. Além disso, já estamos produzindo
mais um livro da série E-DICAS, agora voltado para
MPMEs e TICs. Nada disso seria possível sem o apoio
e a participação de nossos sócios,
empresas líderes dos principais setores da economia,
para as quais as pequenas empresas representam um tremenda
fonte de novos negócios.
Que documentos estão sendo elaborados a partir do
Fórum Latino-Americano de Negócios Eletrônicos?
Serão elaborados a 'Mensagem do Primeiro
Fórum Latino-Americano de Negócios Eletrônicos'
e o Relatório Final sobre o evento. Sem dúvida
esses documentos serão uma contribuição
singular para a inclusão das MPMEs na América
Latina e, consequentemente, na sociedade da informação.
Funcionarão como um alicerce sólido sobre
o qual novas idéias, comentários e críticas
construtivas poderão edificar uma proposta capaz
de colocar os países latino-americanos em merecido
posto de destaque no cenário mundial da sociedade
da informação. Entre os principais pontos
que serão tratados no documento, destaca-se a importância
das MPMEs para o desenvolvimento de qualquer economia, a
relevância das TICs como ferramenta de desenvolvimento
e inclusão e a necessidade de se estabelecerem parcerias
público-privadas para garantirem maior acesso, por
parte das MPMEs, às estratégias e programas.
Qual mensagem deixaria a todos aqueles que se envolveram
com a realização deste tão importante
evento?
Gostaria, primeiramente, de agradecer todos os participantes
pelo entusiasmo e interesse que demonstraram pelo Fórum.
Além disso, gostaria de agradecer nossos apoiadores,
sem os quais a realização deste evento não
seria possível, e finalmente a equipe da Camara-e.net
e do ITC, pelo trabalho bem feito e pelo
carinho com que trataram este importante projeto. Acho que
a melhor mensagem que posso deixar neste momento é
a de que ainda temos muito trabalho pela frente, para que
possamos garantir a inclusão das MPMEs na Economia
Digital e na Sociedade da Informação.
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