Nesta
semana, nosso entrevistado é Cid Torquato,
diretor executivo da Camara-e.net, que há três
anos comanda a equipe de profissionais e prestadores de
serviços da entidade.
Como avalia estes três anos de atividades
da Camara-e.net?
Como profissional, esta é, de longe, a melhor experiência
de minha vida, embora tenha tido, até 2001, um histórico
de trabalho invejável, atuando, na última
década, como diretor da Lowe & Partners América
Latina, da StarMedia Networks e como assessor da Secretaria
de Logística e Tecnologia da Informação
(Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão),
responsável pela inteligência sobre Governo
Eletrônico no Governo Federal.
Tocar o dia-a-dia da Camara-e.net é extremamente
estimulante, mas, paradoxalmente, ao mesmo tempo, também
um pouco frustrante, tendo em vista o que poderíamos
fazer e influenciar apenas com um pouco mais de conscientização,
recursos e engajamento por parte de nossas lideranças
empresariais.
O universo das TICs, do ponto de vista empresarial, está
muito desunido, fragmentado em cerca de 50 associações
que atuam em áreas muito próximas. Isso sem
contarmos as grandes entidades, como as pertencentes aos
sistemas CNI, CNC, Associações Comerciais
e as dezenas de câmaras bilaterais, que tem sócios
também com interesses nessa temática.
Do ponto de vista institucional, nossa entidade é,
com certeza, um dos grandes cases do associativismo brasileiro
nos últimos tempos. Desde sua fundação,
a Camara-e.net vem se posicionando no centro das principais
discussões sobre o desenvolvimento das TICs, e, em
grande número dos casos, como líder das iniciativas
privadas de discussão e formulação
de políticas públicas e regulatórias
para o Brasil.
Este trabalho, felizmente, goza do reconhecimento dos principais
atores governamentais do país, que contam com a Camara-e.net
e seus sócios como fontes de conhecimento de vanguarda
e de representatividade político-empresarial.
A Camara-e.net está consolidada?
Longe disso, já que, neste cenário, a briga
é diária e um passo em falso pode representar
o descrédito de uma associação.
Nosso quadro de 150 sócios, formado por empresas
líderes dos principais setores, garante nossa representatividade.
Contudo, para bem alcançarmos nossos objetivos e
desempenharmos o que nos é demandado, precisamos
de mais recursos, financeiros e humanos, que nos permitam
arcar com as despesas cotidianas da entidade, bem como realizar
as reuniões, estudos e pesquisas inerentes ao trabalho
institucional.
Infelizmente, nossos mais qualificados colaboradores, inclusive
eu mesmo, passamos parte significativa de nosso tempo atraindo
novos sócios, assim como buscando contribuições
e patrocínios para nossos projetos.
Nosso maior desafio, hoje, é mudar este quadro.
Afinal, o que motiva uma empresa a se associar à
Camara-e.net?
A Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico
é, essencialmente, um think tank, um fórum,
cuja missão é discutir, formular, propor,
defender e monitorar políticas públicas, regulatórias
e de mercado visando o fomento às TICs, bem como
a formatação da Economia Digital no Brasil.
Oferecemos aos nossos sócios a oportunidade de participar
desse processo e serem protagonistas junto aos principais
órgãos públicos e governamentais, assim
como frente ao próprio mercado.
Sempre digo que, para o êxito de uma entidade, três
elementos, fundamentais, devem ser perseguidos: a ética
associativa (interesse do grupo), a compreensão dos
principais interesses de cada empresa, e a valorização/reconhecimento
coletivo do empenho dos empresários/executivos que
trabalham no processo.
Por outro lado, aprendi nestes três anos, que o sócio
tira de qualquer entidade exatamente aquilo que investiu.
Que mensagem enviaria aos sócios e mercado
em geral?
A mensagem é básica: Participem da Câmara
Brasileira de Comércio Eletrônico, e influenciem
o presente e o futuro da Economia Digital no Brasil!