Esta
semana, dias antes da 1ª
Feira Nacional de Informática do Mercado de Seguros
(11 a 13/março, Brasília), nosso entrevistado
é Luis Eduardo Torres Maida, gerente
de Tecnologia da Informação da Soma Seguradora
e presidente da Comissão de TI da ANAPP - Associação
Nacional da Previdência Privada, sócia fundadora
da Camara-e.net.
Fale um pouco sobre a ANAPP e o mercado de previdência
complementar no Brasil.
Com 29 anos de atuação, a ANAPP representa
praticamente 100% das empresas operadoras de previdência
privada aberta que atuam no mercado brasileiro. Estas entidades
fecham o ano de 2003 com R$ 48,5 bilhões em reservas
técnicas, um aumento de 52,7% em relação
a 2002, alcançados com mais de R$ 14,9 bilhões
em receitas com a venda de planos de previdência,
53,5% mais que o ano anterior. Acredito que os principais
fatores que levaram a estes números são: um
mercado bem regulado que prima pela governança dos
ativos administrados e solvência das operadoras, a
discussão levantada pela reforma da previdência
oficial que levou, à quase todas as camadas sociais
da população, a necessidade de uma aposentadoria
complementar e a criação de produtos simples
e de fácil comercialização.
Qual o papel da Comissão de Tecnologia da
Informação da ANAPP?
A matéria-prima do produto previdência é
a informação, digital ou física, e
o papel da CTI é discutir soluções
tecnológicas de processamento e armazenamento que
tragam benefícios diretos aos envolvidos no processo,
ou seja, os clientes, as entidades que operam no mercado
e os órgãos reguladores. E não são
poucas estas informações, pois são
coletadas desde o momento em que uma pessoa contrata um
plano de previdência até o pagamento do último
benefício. Entendo que a tecnologia por si só
não é diferencial competitivo, mas sim a forma
como as empresas a aplicam. Assim, criamos na CTI um fórum
entre os executivos de TI do mercado, onde são discutidas
as tecnologias disponíveis para cada parte do processo
e quais benefícios podem ser extraídos. Nosso
objetivo é iniciar uma nova fase, buscando adotar
padrões operacionais que facilitem a comunicação
entre empresas e minimizem o custo do desenvolvimento de
novas soluções.
Você teria um exemplo de padrão que
poderá ser adotado?
Na previdência complementar existe um processo chamado
"portabilidade", um conjunto de regras que permite
ao participante de um plano de previdência transferir
sua reserva financeira de uma entidade para outra. Com o
aumento de clientes e a competição entre as
entidades, o volume de portabilidade tende a aumentar. Ainda
não temos instrumentos para medir esse volume, mas
sabemos que supera a casa de mil transações/mês
e alguns milhões de reais. Em 2002, a CTI coordenou
um trabalho envolvendo profissionais de outras comissões
técnicas da ANAPP e representantes da SUSEP, concluído
no ano passado, onde foi definido um formulário padrão
que deverá ser adotado pelo mercado para padronizar
este processo. Estamos na fase de implantação
do formulário.
O passo seguinte será criar um processo semelhante
ao "SPB" ou um "B2B" para que as entidades
troquem eletronicamente todas as informações
necessárias ao processo. Nosso objetivo é
ganhar agilidade, beneficiando principalmente o cliente,
e reduzir custos na operação.
A ANAPP já possui algum projeto B2B?
Sim. Estamos na fase final de desenvolvimento de uma intranet
para o mercado de previdência privada, denominado
IntrANAPP; nossa intenção é torná-la
um grande portal no futuro. Hoje, o acesso à IntrANAPP
está restrito aos profissionais que trabalham nas
entidades associadas e que terão à sua disposição,
neste primeiro momento, alguns serviços como: consulta,
por meio de relatórios e gráficos, aos dados
do mercado; acesso para consulta e down-load de regulamentos,
atas de reuniões, circulares, etc.; criação
de fóruns para debate de temas gerais ou específicos
do mercado; banco de dados de fornecedores e prestadores
de serviço, entre outros.
Consolidada esta primeira fase, queremos incorporar outros
serviços para que a ANAPP possa prover conhecimento
aos profissionais, como a ferramenta de BI para análise
dos dados do mercado, criação de bancos de
dados com informações comuns à operação
de planos de previdência e ferramentas de e-Learning.
Outro projeto é transformar a IntrANAPP na base para
as transações eletrônicas entre as entidades
de previdência como, por exemplo, o processo de portabilidade
eletrônica citado anteriormente.
O que levou a ANAPP a ser sócia fundadora
da Camara-e.net?
Quando assumi a presidência da Comissão de
TI da ANAPP, um dos meus objetivos era buscar novas tecnologias
para contratação eletrônica de planos
de previdência complementar e identifiquei que a Camara-e.net
seria um fórum ideal para isso.
Naquele ano realizamos, com o apoio da Camara-e.net, o
I Fórum ANAPP de Canais Eletrônicos - "Utilização
de Canais Eletrônicos para Captação
e Administração de Planos de Previdência
Privada", que contou com a presença de mais
de 120 executivos e gestores do mercado de seguros e previdência.
No primeiro painel, Daniel Domeneghetti, representante da
Camara-e.net, debateu o tema "Impacto da Internet nos
Negócios" com várias personalidades do
setor.
Este ano vamos para a 4ª edição do fórum
que deverá ocorrer em junho. Novamente, o evento
será realizado em conjunto com a Camara-e.net e voltaremos
a discutir e apresentar para o setor as novas soluções
tecnológicas que permitem às operadoras de
previdência se beneficiarem do comércio eletrônico,
na contratação e gestão dos planos
de previdência complementar.