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Lap Top de U$ 100
Na última sexta-feira, 28 de outubro, o professor Nicholas Negroponte, do Media Lab, do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT), apresentou, em São Paulo, o projeto One Laptop per Child (OLPC).
O seminário, realizado no auditório da Vivo, foi uma parceria da RadiumSystems e da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, reunindo mais de 150 pessoas (confira fotos).
Nicholas Negroponte anunciou que o ambicioso projeto está próximo do sucesso. Com o apoio de Google, AMD, Red Hat e do conglomerado de mídia News Corp, a meta é produzir um laptop que custará 100 dólares, para ser distribuído a estudantes, por intermédio de ações governamentais. O projeto de dimensões globais visa, prioritariamente, atuar em países em desenvolvimento, com Brasil, Índia, Russia e China, que em função de suas imensas populações dependem de produção em larga escala, fator determinante para a viabilidade da iniciativa.
Negroponte afirmou que ainda não sabe onde os laptops serão produzidos, nem mesmo que países irão ingressar na iniciativa. De qualquer forma, acredita que em pouco tempo, os computadores substituirão os cadernos e que, se acompanhados de um programa eficiente, serão decisivos na inclusão e desenvolvimento da educação de crianças e jovens em países emergentes.
O primeiro protótipo do laptop, que terá processador de 500 MHz, memória flash, software livre e Wi-Fi, será oficialmente apresentado no dia 17 de novembro, durante a Cúpula da Sociedade Mundial da Informação, que será realizada em Tunis, Tunísia.
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Nesta semana, entrevistamos Gérson M. Schmitt, Conselheiro da Camara-e.net e da ABES, Presidente do Conselho da Paradigma e CEO das operações brasileiras das marcas esportivas Fila, Try On e Kappa.
1) Como analisa a evolução dos investimentos e projetos de Governo Eletrônico no Brasil?
Nos últimos três anos o projeto brasileiro de e-gov perdeu seu brilho e não trouxe evoluções relevantes.
Em 2002, o Brasil recebeu destaque em todo mundo, pelo seu rápido e qualificado avanço em e-gov, alcançando importante posicionamento entre os top 20 no ranking internacional especializado. Conquistou espaço em importantes entidades e eventos internacionais e, até hoje, recebe prêmios e reconhecimento internacional por projetos implementados no final dos anos 90 e início do milênio - eleições eletrônicas, compras públicas eletrônicas, declaração de imposto de renda pela Internet, títulos públicos federais vendidos aos cidadãos pela Internet e o SBP - Sistema Brasileiro de Pagamentos. Além disso, a estratégia de privatização das telecomunicações aportou vultuosos investimentos que resultaram numa infra-estrutura de TIC de ponta, com Internet de banda larga, concorrência qualificada e mais de 60 milhões de linhas móveis que superaram em número a telefonia fixa.
Entretanto, o mesmo instituto que destacava o Brasil em 2002, hoje o coloca além da 40º posição. Enquanto o mundo todo avançava, o Brasil foi tomado por uma espécie de maré vermelha que segurou a evolução dos projetos de e-gov. O maior foco da pouca energia prática despendida nesse período foi destinada a questionável defesa do software livre.
Tínhamos uma grande janela de oportunidade (geração de empregos de alta qualificação, tecnologia de ponta com alto valor de exportação e zero de poluição), trocada por um estado que se agigantou como empresário, fez crescer seu contingente de técnicos e passou a ser um concorrente aberto da iniciativa privada.
2) Mas se tivesse que destacar um projeto relevante desse período, qual seria e por que?
Diria que o grande destaque foi o projeto liderado pela então Ministra de Minas e Energia Dilma Rousseff. Ela criou e consolidou um ambiente confiável para atrair o necessário e elevado investimento na produção e distribuição de energia, elemento essencial para o desenvolvimento do país. Através da ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica, foi gerado um arcabouço jurídico-institucional que fez o mercado contar com um novo cenário de negociação e multiplicar seus players, categorizados em geradoras, distribuidoras e comercializadoras de energia. O segmento passou a contar com um ambiente de bolsas eletrônicas de negociação de energia, cujas transações realizadas vêm reduzindo incertezas e efetivamente apontando o quanto da demanda futura projetada ainda está por ser atendida. O grande momento desse processo foi o mega-leilão organizado pela CCEE - Câmara de Comércio de Energia Elétrica, em dezembro de 2004. Foram negociados R$ 74,9 bilhões em ambiente 100% eletrônico, envolvendo cerca de 50 empresas.
3)
O que deveria então o Governo fazer para avançar em e-gov e desenvolver um setor tão estratégico com software?
O Governo não deve fazer nada além de planejamento, regulação, controle e fomento - simplificação burocrática, financiamento e capacitação, apoiando os investimentos da iniciativa privada setorial. O papel do governo como maior comprador do mercado, já é por si só importante.
Se o governo comprar bem serviços e soluções diferenciados e qualificados, poderá otimizar a gestão pública e estimular o desenvolvimento setorial. O que não pode é manter-se no papel atual, crescendo como empresário do setor, e às vezes assumindo o papel de concorrente no mercado. A não ser que alguém acredite que no Brasil descobriu-se como o governo pode ter mais agressividade comercial, competitividade e agilidade para atuar como empresário, num dos setores mais ágeis e dinâmicos do mundo globalizado.
4) Qual o papel da Camara-e.net nesse contexto?
A Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico e outras entidades setoriais devem insistir na participação de processos de formulação de leis e políticas setoriais, propondo novos modelos e projetos que possam ajudar o governo e o setor a somarem esforços, recursos e inteligência. Nesse campo houve alguns avanços, mas ainda estamos longe dos resultados desejados. Uma boa iniciativa, entre outras, foi o documento e-Brasil (disponível no site www.camara-e.net), construído por dezenas de empresários, intelectuais e representantes de entidades, com uma proposta de modelo e indicação de projetos referenciais para construir um novo Brasil Digital.
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