Entrevistamos esta semana a Coordenadora Executiva da Fundação Vanzolini, Beatriz Scavazza.
1) Como avalia, atualmente no país, a utilização de recursos tecnológicos para promoção do aprendizado e na gestão escolar?
Nos dois casos, há vários perfis de soluções, de qualidade e de dimensões, dada a diversidade econômico-cultural e o tamanho do Brasil. A gestão escolar via Internet e a integração maior na rota ERP são a tendência atual. Há, ainda, o intenso e crescente uso, pelo poder público, de ferramentas para tratamento de dados educacionais com múltiplas finalidades. O uso de tecnologias virtuais no aprendizado é menos definido, por ser mais recente (meados da década de 90). Para a Fundação Vanzolini, cujas pesquisas e projetos iniciaram em 1996, um dos principais fatores de sucesso é a articulação adequada, em função do público, de conteúdos, metodologia e tecnologia, aliada, em grandes projetos, à correta gestão da implantação e operação. Analisamos que uma das tendências é a da convergência de sistemas de gestão escolar e ferramentas de e-learning, integrando dados da gestão educacional e sistemas de ensino. Dentre as diversas ferramentas hoje disponíveis, uma é da Vanzolini (Prometeus).
2) Quais são suas expectativas em relação ao e-learning no Brasil?
A tendência é de crescimento em diversas frentes: de cursos em “prateleiras virtuais” da web a grandes projetos corporativos e governamentais; de projetos exclusivos de EaD aqueles com interação e tutoria intensas e complementação presencial. Tecnologia, investimento, tamanho, etc, dependem do público alvo e dos objetivos educacionais. Neste sentido, um dos marcos da experiência da Vanzolini foi o gerenciamento, em 2001/2002, de uma rede para a Secretaria de Educação de São Paulo que, em parceria com USP, UNESP e PUC-SP, graduou quase 7.000 professores em nível superior. Do sucesso desta experiência resultou a Rede do Saber, uma ferramenta estratégica para as políticas de formação continuada da Secretaria. As demandas da política pública, as necessidades da gestão do conhecimento nas grandes empresas e no ensino privado tendem a depurar e consolidar essas tendências, mesmo com todas as resistências ainda observadas.
3) Conte-nos um pouco sobre a Fundação Vanzolini e seus projetos para inclusão social unindo tecnologia e educação.
O foco da nossa atuação é a articulação entre conhecimentos e práticas da gestão de projetos e operações de grande abrangência, o uso integrado de diversas mídias e o desenvolvimento de metodologias de mediação pedagógica. Neste sentido, desenvolvemos projetos voltados a públicos diversos, cujos registros das nossas experiências estão disponíveis em www.gte.vanzolini.org.br.
4) Quais foram os principais resultados e conquistas destes trabalhos?
Uma experiência significativa na nossa trajetória foi a participação no processo de transformação da rede criada para implementar a formação superior de professores do Estado de São Paulo em 2001/2002 numa solução permanente, a Rede do Saber, ligada das 07h00 às 23h00, em estado de prontidão, seja para comunicados aos funcionários, seja para cursos de longa duração. Distribuída fisicamente em 100 pontos no Estado, oferece um mix de mídias, além de ambientes virtuais e ferramentas de comunicação e colaboração que funcionam 7 dias/24 horas. Com capacidade para 36.000 alunos/dia, a Rede já atendeu quase 1,5 milhão de pessoas desde 2003. Além da economia com custos de estadia e viagem, tempo de trabalho e segurança, é muito gratificante ver como se pode aproveitar bem o investimento público e acompanhar a criação de uma metodologia de formação permanente com a utilização de TICs que se incorpora à prática dos agentes educacionais do Estado.
5) De que forma o setor privado, a Camara-e.net e outras associações podem colaborar?
O setor privado pode colaborar patrocinando projetos de inclusão ou investindo na capacitação de seus colaboradores, como muitas de suas instituições já o fazem. Já a principal colaboração da Camara-e.net seria no sentido de continuar com o espaço direcionado ao setor educacional, divulgando as boas práticas, o que é muito valioso e que, ao mesmo tempo, pode ser uma economia para o seu associado que já investiu muito em tecnologia e pode entrar no aprendizado virtual com custos menores e gerenciando as ociosidades dos meios que dispõe.
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