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ICTs for SMEs
Já está disponível para download o relatório Empowering SME Exporters Through ICT: Lessons from South América, editado pelo ITC – International Trade Centre (UNCTAD/WTO), com sede em Genebra.
O trabalho de pesquisa e redação foi realizado por Claudine Oliveira (veja entrevista abaixo), sob a coordenação de Nikolai Sémine e participação de Matthew Wake, ambos da e-Trade Development Unit.
A publicação é baseada nos resultados do I Fórum Latino-Americano de Negócios Eletrônicos, realizado pela Camara-e.net, em parceria com o ITC, em São Paulo, entre 02 e 05 de novembro de 2004.
Trata-se de referência fundamental para conhecer o atual estágio de desenvolvimento das tecnologias da informação no continente, principalmente quanto à inclusão da micro, pequena e média empresa na Economia Digital, com análises de projetos realizados e casos de sucesso, bem como recomendações para o futuro.
O relatório pode ser adquirido no site do ITC (www.intracen.org/eshop/) por U$ 12,00.
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Entrevistamos esta semana Claudine Oliveira, principal autora do relatório “Empowering SME Exporters Through ICT: Lessons from South América” e consultora internacional do ITC.
1) Conte-nos como é o livro "Empowering SME Exporters Through ICT: Lessons from South America".
Não é exatamente um livro: é uma publicação técnica que teve origem no Fórum Latino-Americano de Negócios Eletrônicos, organizado pelo ITC e a Camara-e.net, em novembro de 2004, em São Paulo. O Fórum tinha como tema central o uso de Tecnologias da Informação pelas PMEs para fins de negócios eletrônicos, com foco mais especificamente voltado para o comércio internacional. Dada a pertinência do tema e o sucesso alcançado, o ITC resolveu não somente compilar os registros, mas ir a fundo no assunto e pesquisar obstáculos e oportunidades que as MPMES da América Latina costumam encontrar na prática de comércio eletrônico. O estudo foi estruturado em 4 partes, de maneira a dar um panorama geral sobre:
i) o comércio eletrônico na América Latina após o estouro da bolha, e a identificação de seu potencial específico;
ii) a performance das nossas PMEs no uso das novas tecnologias;
iii) os desafios que enfrentam na prática de comércio eletrônico; e
iv)
recomendações sobre possíveis frentes de atuação.
2) Como anda a digitalização das MPMEs na América do Sul?
Esta questão é bem complexa. Há várias distinções a serem feitas:
i) entre os diversos países da América do Sul; a realidade de países como o Uruguai, o Paraguai e a Bolívia, em matéria de infra-estrutura de comunicação, é bem diferente da realidade do Chile, do Brasil e outros, o que impacta fortemente na conectividade das empresas e dos indivíduos.
ii) entre as micro-empresas, de um lado, e as pequenas e médias empresas, de outro; por exemplo, em termos de conectividade, em 2004 somente 12% das micro-empresas argentinas, 16,9% das paulistas e 37% das chilenas tinham acesso a Internet, enquanto a percentagem sobe para 90%, 92,2% e 84,9% quando se trata das pequenas e das médias empresas nesses mesmos paises ou Estado.
De maneira geral, as micro-empresas estão ainda se conectando e se alfabetizando digitalmente, enquanto as pequenas e médias iniciam sua digitalização. Há pouquíssimos estudos na América Latina sobre digitalização das PMEs e o uso efetivo que fazem das TIs, principalmente no escopo regional. Partindo de um estudo publicado em 2004 pela UNCTAD e a FUNDES que pesquisou mais de 500 PMEs em cinco países da América Latina, sabemos que 94% das PMEs entrevistadas tinham acesso à Internet, 50% delas tinham intranets, e somente 14% delas utilizavam um serviço de extranet. O estudo menciona que, enquanto 38% delas tinham efetuado compras online, somente 13% vendiam algum produto/serviço pela Internet. Por outro lado, as micro-empresas não foram consideradas neste estudo. Como podemos ver, as PMEs consomem tecnologia para suas informações e meios de comunicação, mas ainda não conseguem ser agentes pró-ativos e criar serviços online especialmente desenhados para seus interesses específicos.
3) Que lições ainda não aprendemos?
Bem, para começar, falta ainda conhecer a fundo as PMEs e fazer a ponte entre elas e a tecnologia. Faltam estudos com ênfase no seu uso (ou falta de uso) de TI e estudos de casos aprofundados para que se possam desenvolver soluções e serviços realmente adaptados à sua demanda, programas de capacitação adequados a seu perfil, assim como ações, políticas e estratégias nacionais e regionais dedicadas à integração das PMEs na economia digital. Não aprendemos, tampouco, a enfrentar a realidade da economia informal, que é gigantesca, e que representa uma enorme força de propulsão ou de freio, conforme a política adotada.
4) Como está o Brasil em relação ao continente?
De maneira geral, o Brasil corresponde a 50% de receita de Comércio Eletrônico da América Latina. O setor de tecnologia é bem estruturado e o Brasil conta também com o grande trunfo de ter uma entidade rica e autônoma para atuar unicamente em prol das PMEs, tal como o Sebrae. Há ainda que destacar o papel de liderança e de pioneirismo do Brasil na região: toda e qualquer ação de sucesso aqui tende a ser adotada e replicada no subcontinente.
5) Há outros projetos no horizonte com apoio do ITC?
Espero e estou trabalhando neste sentido para que vários projetos voltados para a melhor competitividade das PMEs, com base nas TIs, sejam realizados, não somente com o apoio do ITC, mas em conjunto com diversos organismos internacionais e regionais.
6) Algo mais?
Meus agradecimentos e apoio à Camara-e.net na sua luta pela inclusão digital empresarial. Espero que nossas ações possam se articular cada vez mais para defender esta nossa bandeira comum.
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