Informativo Camara-e.net - 21/setembro • 2006
Você está recebendo a newsletter da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico com informações semanais relacionadas à Economia Digital no Brasil e no mundo.

Núcleos Regionais

Para melhor desempenhar sua missão de fomentar os negócios eletrônicos enquanto cultura de modernização das relações econômicas no Brasil, a Camara-e.net tem a satisfação de anunciar a formação dos Núcleos Regionais da entidade em duas das principais cidades brasileiras, a saber: Brasília e Florianópolis.

A formação dos Núcleos Regionais tem a importância de propagar a atuação da Camara-e.net por todo o Brasil, gerando uma multiplicação da atuação da entidade, através de associações regionais, mais sintonizadas com os problemas específicos da região em questão, contribuindo também para o desenvolvimento das atividades de abrangência nacional. O principal objetivo é promover o desenvolvimento seguro e sustentável dos negócios eletrônicos no país, através de nosso trabalho propositivo em termos de políticas públicas, regulatórias e de mercado para o setor.

Para mais informações sobre como participar desta iniciativa, envie sua mensagem para info@camara-e.net.

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Gilson SchwartzEntrevistamos esta semana Gilson Schwartz, Diretor Acadêmico da Cidade do Conhecimento da Universidade de São Paulo (USP).

1) Por favor, conte-nos um pouco sobre a Cidade do Conhecimento e seus objetivos.

Depois de um ciclo de sete anos de trabalhos de pesquisa desde sua criação, no Instituto de Estudos Avançados da USP, o projeto Cidade do Conhecimento tornou-se um laboratório de pesquisa, desenvolvimento e inovação em economia da informação, inserido no Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes da USP. É um grupo de pesquisa certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa da USP e registrado na Plataforma Lattes, do Ministério de Ciência e Tecnologia. Perfeitamente habilitado para a incubação de parcerias estratégicas em P&D&I no setor privado, em sintonia com o cenário contemporâneo de uma regulação e também mecanismos de financiamento inovadores favoráveis à formação de parcerias e projetos. Assim, de um laboratório que há cinco anos tinha a mim como Professor Visitante, a Cidade do Conhecimento evoluiu para uma rede que hoje mobiliza centenas de profissionais em vários Estados do Brasil e também do exterior. “Abrir a USP” usando redes digitais como suporte foi uma iniciativa de “pesquisa-programa-ação”, que vai além da pesquisa-ação para incluir atividades de programação, tanto de software quanto de eventos. Em nossas atividades de ensino, pesquisa, extensão e comunicação destaca-se a dimensão da criatividade, em especial a criatividade popular brasileira, que associada à maior universidade do país ganha também seu espaço no uso das redes digitais no país e no exterior – chegamos pioneiramente ao celular.

2) Quais foram as principais conquistas desde o início do projeto?

Há uma dimensão pessoal e outra coletiva. Como indivíduo cidadão e amante do conhecimento tive o privilégio de contar com o apoio da USP para realizar o sonho de construir uma cidade de projetos organizados virtualmente. A obra, no entanto, é coletiva. É uma espécie de réplica intangível, mas também cidade cenográfica, capaz de representar uma faceta inovadora da Universidade de São Paulo e, por extensão, de outros pólos e instituições associados a essa marca. A criação da própria marca, Cidade do Conhecimento, estava entre as “lições de casa” do projeto apresentado em 1999 ao Instituto de Estudos Avançados – mostrando que é possível criar e gerenciar ativos intangíveis, por meio de arquitetura orientada a serviços, transformando as redes digitais em redes de conhecimento e aprendizagem. Hoje, a Cidade do Conhecimento é referência teórica, empírica e experimental no Brasil e no exterior. Temos uma biblioteca de projetos de desenvolvimento local em rede com mais de 30 aplicativos e softwares desenvolvidos com recursos do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI, na Casa Civil da Presidência da República), sob Convênio com a USP e orientado ao desenvolvimento de modelos de negócios e conteúdo estratégico para o programa Casa Brasil. O laboratório instalado na Praia da Pipa, no Rio Grande do Norte, foi o pioneiro em transmissão de cinema digital na rede pública e, mais recentemente, inaugurou o catálogo de conteúdo para telefones celulares da Cidade do Conhecimento, gerando renda para as comunidades atendidas. A noção de que é possível construir uma nova sociedade por meio de parcerias multi-setoriais amparadas em redes digitais também foi posta à prova, com relativo sucesso, pois a socialização do conhecimento e da tecnologia gerados com recursos públicos casa bem com a agenda de entidades setoriais, profissionais, sindicais ou empresariais, num momento de efervescência daquilo que nosso parceiro Doug Schuler em Seattle denomina “inteligência cívica”. Sem governança, não há economia de ativos intangíveis, eis uma lição do nosso trabalho de pesquisa. Esse trabalho já rendeu a criação de duas novas disciplinas na USP, focadas na economia da informação e na cultura das novas mídias: na pós-graduação, a primeira disciplina da USP sobre o tema da economia da informação e novas mídias e, na graduação, a partir de 2007, uma nova “ciência”: a Economia, convergência entre a economia digital e a gestão criativa de ativos intangíveis, em escala global. Os áudios das minhas aulas estão disponíveis no blog da Cidade do Conhecimento. São resultados extraordinários que se materializam como coalizões temáticas e coletivos vibrantes, na medida em que se abrem espaços na USP mas também em vilas, favelas, praias e até barcos conectados à rede, indo de consultas a empresas a mobilização de comunidades locais, passando sempre pela produção de mídias digitais audiovisuais. O resultado é uma rede internacional cuja expansão não é linear, exibindo progressão geométrica na capacidade de produção social de conhecimento, tecnologia, cultura e sabedoria. A Cidade do Conhecimento é, portanto, uma rede social digital da USP, participando da dinâmica de parcerias com o setor público, o setor privado e o terceiro setor sem as quais não faz sentido pensar em Pesquisa e Extensão na universidade.

3) Como avalia o desenvolvimento da chamada economia do conhecimento no Brasil?

Avaliar e pesquisar esse potencial das redes sociais e ao mesmo tempo oferecer à sociedade, ao Estado e ao mercado um espaço público para a experimentação criativa com novas mídias são os dois desafios do projeto Cidade do Conhecimento. Produzimos uma avaliação a pedido da FAPESP que integra o Relatório de Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo. Da economia da experiência à avaliação de ativos intangíveis, as plataformas de construção colaborativa de conhecimento são a fronteira da Web 2.0. No Brasil, o Orkut mostrou uma força que é um indicador relevante, mas os resultados de projetos como MySpace, nos EUA, dá bem a dimensão da dinâmica das redes sociais. O Brasil, passada a febre do Orkut, tem muito a ganhar explorando justamente o que essa primeira bolha revelou – fantásticas habilidades para socializar, festejar, vivenciar, experimentar e colaborar que o cidadão brasileiro revelou. Indicadores em áreas como e-commerce e e-gov também colocam o Brasil entre os grandes players mundiais nessa área. Ainda assim, repetimos também no digital os indicadores de exclusão: num país em que cresce o trabalho infantil e explode o desemprego jovem, anda pela casa dos 10% a fatia da população incluída digitalmente. Mas é preciso cuidado com as estatísticas: a lógica de crescimento das redes e seus efeitos setoriais são muito mais profundos que a internet. Justamente com o intuito de avaliar de modo mais amplo o sentido e a densidade dos ativos de conhecimento no Brasil que nos unimos à Camara-e.net numa agenda de pesquisa sobre indústrias digitais e economia do conhecimento. Junto com lideranças jovens e empreendedoras como o Daniel Domeneghetti, responsável pelo comitê da área de conhecimento da Camara-e.net, pretendemos gerar um “paper” que faça a primeira avaliação do gênero na economia brasileira.

4) De que forma a Camara-e.net e outras associações podem colaborar para o sucesso desta iniciativa?

Vamos inovar na modelagem dos indicadores de desenvolvimento digital no país. Essas inovações, sobretudo informações, serão buscadas junto aos principais “players” na digitalização econômica do Brasil. Esse diálogo na pesquisa será possível apenas na medida em que a Camara-e.net e outras associações empresariais, sindicais, culturais e regulatórias validarem o processo, participativamente. Esperamos sensibilizar e mobilizar lideranças e colaboradores em todos os níveis para um primeiro teste de indicadores da economia do conhecimento no Brasil.

5) Qual é a agenda de pesquisa?

A Cidade do Conhecimento foi pioneira e agora representa um exemplo claro da tendência contemporânea à valorização e até incubação de redes sociais e modelos de negócios em cultura digital. A vocação de entidades representativas é naturalmente a de articular redes de relacionamento. Pensando de modo mais amplo, temos em comum o desafio de promover o uso inteligente das redes digitais, em todos os setores da vida social, cultural e ambiental. Sou contra a mera inclusão digital, em favor de uma autêntica emancipação digital. A fórmula é simples: no lugar da imagem de uma inclusão no digital, propomos a inclusão no conhecimento por meios digitais. Incluir no digital é uma redundância. Emancipar por conectar-se ao conhecimento (à USP, por exemplo, sem vestibular, na Cidade do Conhecimento), não apenas por saber manobrar bem o joystick, o controle remoto ou dominar uma ferramenta de software.

6) Alta tecnologia combina com ação social, educacional e ambiental?

A segurança pública, as guerras territoriais, as doenças incuráveis e a exclusão sócio-econômica consentida de bilhões de seres humanos no planeta fazem a ação educacional emancipadora, participativa, diversificante e não-linear, tecnológica e cultural às vezes parecer completamente ociosa. As redes digitais, no entanto, continuam animando práticas de expansão do potencial cognitivo e da integração civilizada dos seres humanos também numa escala mundial. Onde está a luz, onde pairam sombras, numa sociedade do espetáculo onde o foco do canhão (outros diriam, da razão) depende de uma trama que às vezes parece sem direção? Antes da seleção da “Cidade do Conhecimento” pelo concurso público do IEA, entre 1996 e 1999 eu criara e dirigira o “Brazil Investment Link”, parceria entre o Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais (NUPRI) da USP e a American Chamber of Commerce – AMCHAM em São Paulo. Recentemente “caiu a ficha”: minha trajetória coincide com a história recente da internet no Brasil, promovendo desde o início a “inclusão digital” de empresários e lideranças da sociedade civil. O “BIL” foi o primeiro portal de economia no Brasil, numa época em que ainda se discutia se o termo correto seria mesmo “portal” – era uma outra web, muito mais unidimensional (nunca teríamos pensado em quão multicanalizada se tornaria a rede que, naquela época, já parecia impregnada de potencial). Mas já percebíamos e explorávamos o potencial de inteligência coletiva, ainda que num foco mais setorial, promovendo aproximações entre universidade e mercado. Estamos falando de uma evolução que ocorreu ao longo de um ciclo de pouco mais de 10 anos, no Brasil e no mundo. Mesmo com o risco de me achar velho demais, ainda acredito que vimos apenas o começo, subestimando o potencial humano de aprendizado e controle dessas novas ferramentas cognitivas, assim como os riscos de emergirem novas formas de descontrole, anomia e criminalização.

7) Como é feita a avaliação da própria Cidade do Conhecimento?

Seria constrangedor recorrer ao adágio “em casa de ferreiro, espeto de pau”. Desde o início tenho insistido, sobretudo com os colaboradores mais jovens, bolsistas ou consultores em projetos da Cidade do Conhecimento, que não podemos propor ao mundo que se emende pela criação de conhecimento se nós mesmos, na equipe do projeto, não demonstrarmos capacidade de produção de conhecimento também, inclusive conhecimento sobre o nosso próprio processo de produção de conhecimento. A avaliação envolve, portanto, pelo menos três níveis de conexão, conhecimento e comunicação: fluxos criativos entre a Cidade e seus cidadãos (extensão), da Cidade sobre o fenômeno que estuda (pesquisa) e na auto-avaliação e avaliação por terceiros (ensino e aprendizado). Ainda estamos construindo os sistemas e a linguagem para fazer essa medida. Uma das parcerias mais promissoras é com Pierre Lévy, com quem tenho o privilégio de interagir desde o seminário que criou a Rede Internacional de Pesquisa sobre Inteligência Coletiva, com o objetivo de desenvolver uma semântica web denominada “Information Economy Mark-Up Language” (IEML). Enquanto a ferramenta de medida (em especial dos intangíveis) não fica pronta, o processo de aprendizado ocorre no relacionamento com os contratantes. A primeira plataforma de pesquisa-programa-ação surgiu em 2001 com o lançamento em parceria com as Secretarias Estaduais e Municipais de Educação de São Paulo do programa “Educar na Sociedade da Informação” – depois de participar, a convite da IBM, do design e da avaliação do projeto-piloto da sua iniciativa “e-voluntários”. Durante cinco anos o projeto manteve sua sede no Instituto de Estudos Avançados, até que em 2006 se tornou viável sua instalação como um laboratório no Departamento de Cinema, Rádio e TV, em parceria com laboratórios nos Departamentos de Economia, de Engenharia de Produção, Arquitetura, Engenharia Eletrônica e outros da USP. Essa rede já tem sido objeto de análises e referências em várias dissertações de mestrado e teses de doutorado, após cinco anos há um imenso acervo de conteúdo audiovisual produzido por 25 módulos temáticos para o ensino médio, são milhares de professores que usam esses recursos, muitas vezes produzidos por professores da própria rede. A Cidade do Conhecimento é também um ativo intangível, uma nova dimensão do Saber da USP que é agora um canal associado ao Portal Saber, o Portal do Conhecimento da USP, que reúne toda a produção acadêmica de mestrados e doutorados, obras raras, acesso ao sistema de bibliotecas e à Editora da USP. Em cinco anos, conseguimos criar um novo canal de conhecimento entre a USP e a sociedade, tão válido e reconhecido, publicamente, como relevante quanto uma tese de doutoramento em genômica ou uma inovação em mecatrônica. Combinação de ensino, pesquisa, extensão e comunicação, construção de projetos por meio da incubação de redes, hoje a Cidade do Conhecimento é oferecida tanto no currículo do Evergreen State College, perto de Seattle, num dos últimos redutos do pensamento crítico na pedagogia norte-americana, quanto na Escola Vicenzia Castelo na Praia da Pipa ou na Associação Quilombola de Sibaúma, no Rio Grande do Norte. Em todos esses casos, jovens estudantes, lideranças comunitárias e empresariais assim como cidadãos unem esforços intelectuais, logísticos e materiais para produzir conjuntamente melhores formas de viver, com ênfase na geração de ocupação e renda. A avaliação que eles farão, ao longo de suas vidas, dessa conexão com a Universidade de São Paulo, é mais um desafio permanente para os atuais e para os futuros colaboradores da Cidade do Conhecimento.

Audiência Pública
Premio B2B
Ofício Eletrônico
e-Brasil
parcerias
Locaweb

26/setembro
Congreso Internacional de Innovación Tecnológica Informática, Buenos Aires, Argentina.

03 a 06/outubro
ICTs: Opportunities and Challenges in Landlocked Development Countries, Yerevan, Armenia.

05/outubro
Seminário Dispositivos Legais de Regulação da Privacidade Eletrônica, São Paulo, Brasil.

04 a 06/outubro
TecEduc@tion 2006 – 3º Congresso e Exposição Internacional de e-Learning e Tecnologia Educacional, São Paulo.

05 a 06/outubro
First Inter-American Meeting of Ministers and High-Level Authorities on Sustainable Development, Santa Cruz, Bolivia.

04 a 08/outubro
WWW/Internet and the Information Society 2006, Murcia, Espanha.


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