Entrevistamos esta semana Vanda Scartezini, diretora para América Latina da ICANN, Sócia Honorária e colaboradora da Camara-e.net desde sua fundação.
1) O que é o ICANN Meeting e qual sua finalidade?
A ICANN gerencia as questões da Internet num processo de consenso de baixo para cima e, portanto, a participação de toda a comunidade mundial é encorajada e necessária para a construção deste consenso. A ICANN promove seus encontros, abertos e gratuitos, às comunidades de diferentes países para garantir a interação e participação direta com a população daquela região específica. As demais comunidades podem participar interativamente pela web.
2) Quais são as expectativas com a realização do evento ICANN Meeting São Paulo e quais temas serão abordados?
O processo de planejamento 2007-2009 e o plano operacional para 2007/2008 são eventos para os quais a participação da comunidade é de extrema importância. Para tanto, a atividade é conduzida em, pelo menos, 04 línguas: Espanhol, Francês, Árabe e Inglês para facilitar a comunicação e o entendimento dos presentes e daqueles que acompanham o evento pela Internet. Os temas abordados serão: técnicos e relacionados a nomes de domínio, endereços como a implantação do IPv6, questões de segurança na Internet, nomes de domínio em outros alfabetos (escrita árabe, ideogramas como no chinês, japonês, o cirílico, o grego) conhecidos como IDN, além de questões estratégicas como as de Governança da Internet. A descrição de cada atividade da agenda pode ser encontrada no site http://www.icann.org/meetings/saopaulo/.
3) Qual a importância deste evento para a Economia Digital no Brasil?
O Brasil é um dos poucos lugares do mundo onde o negócio de nomes de domínio não é ainda uma atividade comercial de grandes proporções, como já acontece em diversos países. No Brasil, a maioria dos domínios está debaixo do .br e, embora seja uma atividade que gera milhões de reais anualmente, o custo é bastante baixo e o serviço de ótima qualidade. Dessa forma, não há estimulo para competição no mercado. O recurso é usado como política pública e não em desenvolvimento comercial. Esta realidade no Brasil reduz o interesse da comunidade para a ação da ICANN, já que a interface do .br, bastante presente na ICANN, resolve seus problemas. Esta realidade começa a mudar à medida que as empresas procuram estar presentes no cenário internacional, buscando nomes genéricos de domínio ou mesmo com sufixo de outros paises alvo de seus negócios. Neste sentido, a participação na ICANN, aproveitando sua presença aqui em São Paulo, pode trazer aos interessados uma visão do negócio de milhões de dólares que corre pelo mundo por trás dos nomes de domínio.
4) Qual o público-alvo?
Alem dos técnicos interessados em segurança e em questões de nomes e endereços, interessa ao pessoal do terceiro setor, este organizado em alguns grupos dentro da ICANN, a comunidade de propriedade intelectual, também com um grupo organizado que trata destas questões pelo mundo e os empresários que buscam oportunidades de novos negócios no mundo dos nomes de domínio.
5) Conte-nos sobre a ICANN e seus principais projetos.
A ICANN está em sua nova fase rumo a se tornar uma entidade totalmente internacional. Desde outubro, uma nova relação com o Departamento de Comércio Americano – DoC - órgão que foi responsável pelo desenvolvimento da Internet e sua operação estável e segura antes da criação da ICANN, permite, a este processo, a internacionalização no sentido organizacional da entidade. Além das questões de fundo da ICANN – segurança e estabilidade da Internet no mundo – projetos como a expansão do IPv6, a questão do nomes de domínio internacionais (IDN) já citados e a questão central da Governança da Internet, objeto do IGF ( Internet Governance Forum) que aconteceu em Atenas no começo desse mês, estão na ordem do dia.
6) Existe algum projeto da ICANN específico para a América Latina?
Na ICANN, hoje, há um movimento de regionalização importante. Na América Latina tivemos em outubro uma experiência de teleconferência envolvendo Brasil, Chile, México, Peru, Costa Rica, Argentina, Uruguai entre outros para debater estes temas no foco da região da América Latina e Caribe. A participação mais ativa da comunidade pode trazer muito mais interesse comercial para os nossos empresários do setor. Aproveito a oportunidade também para informar sobre a inauguração da nova sede do LACNIC, em Montevidéu, no próximo dia 11/12 (www.lacnic.net) que é quem administra o espaço de endereços na região da América Latina e Caribe e questões relacionadas, em nome da comunidade mundial. É uma entidade multistakeholder na região com membros de diversos paises em sua diretoria e é importante que a comunidade de TIC tenha conhecimento de suas atividades.
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