Falar de WEB 2.0
por Kleumer Siqueira*
É aquecer a polêmica a respeito de uma nova jogada de marketing ou realmente uma nova versão da WEB. Para discorrer sobre o assunto, é interessante mudar o foco e observarmos como funciona o lado social da Internet. Esse lado social agrega infinitos conjuntos de comunidades que por sua vez, tem como participantes pessoas como você e eu.
Desde ao tempo das cavernas, as pessoas se agrupavam, por exemplo, em torno de uma fogueira onde existia um objetivo comum, o de aquecerem-se e fortalecerem-se. Logo, podemos perceber que os indivíduos têm a necessidade de se afiliar a grupos para compartilhar objetivos comuns.
Com o advento da WEB (1.0), esse fenômeno pode ser novamente notado, porém num formato por nós denominados como virtual. Essa comunidade virtual também evolui, e evolui em busca principalmente de conteúdo e simplicidade. Porém dessa vez pautada em uma necessidade de colaborar, contestar, debater, ou seja, influenciar esses objetivos comuns.
Para exemplificar, podemos destacar o uso difundido dos mailings lists, suprindo uma necessidade primária desse agrupamento de pessoas trocando informações. Quanto ao uso do conteúdo, os inúmeros cliques nos hyperlinks textuais fazendo-nos saltar de páginas para páginas, deixando-nos ávidos a interagir com este conteúdo, colocando pontos de vistas.
Essa necessidade de colaborar de uma forma mais livre e simples, bem como criar e interagir grupos de afinidades com interesses únicos, adeqüa-se o conceito de software social, ou seja, os próprios usuários criam suas comunidades que se auto-organizam e se auto-regulam.
Um exemplo dessa questão de software social pode ser o uso de mensageria instantânea, onde eu me registro, baixo o software e posso escolher você como membro da minha lista, da mesma forma que você pode me retirar da sua.
Então, para acompanhar a evolução das comunidades virtuais, que cada vez mais anseiam por conteúdo, através de colaboração e interação entre os indivíduos, precisaremos de uma nova WEB? O que é necessário para fazer um upgrade da Internet para WEB 2.0?
Surge daí a grande afirmação. A WEB 2.0 já existe. E não é uma mudança dos conceitos que Sir Timothy “Tim” Berners-Lee inventou ao criar a World Wide Web. Mas pode ser entendido como a evolução do uso da WEB (1.0), tornando-a mais dinâmica e que os usuários colaborem para a organização de conteúdo.
O termo WEB 2.0 foi criado após o estouro da bolha em 2001, onde parecia que os negócios da Internet estavam no fim. Nessa época, apareceu uma grande de gama de empresas que realmente traziam o conceito do Social para Internet, como foi o caso do Napster.
Neste ínterim, as empresas O'Reilly e MediaLive International se encontraram para uma sessão de brainstorming. O intuito desse encontro era estudar algumas excitantes aplicações que estavam aparecendo na WEB. Nessas sessões, denominadas como Conferência WEB 2.0, as aplicações e serviços eram classificados como WEB 1.0 x WEB 2.0. Uma lista enorme foi criada, como por exemplo: screen scrapping x web service; personal web sites x blogging; Britânica Online x Wikipedia.
A partir daí, podemos entender que já estamos imersos no mundo da WEB 2.0. E mais, num conceito de negócio, a Internet já é uma plataforma. E essa plataforma permite um mundo de possibilidades, como os mashups que é uma combinação de serviços. Por exemplo, o uso de um serviço de mapas combinados com serviços de localização para termos as melhores rotas para uso de empresas de logística.
Construir aplicativos WEB 2.0 implica em uma nova discussão de como utilizar esse conceito da WEB 2.0. Primeiro entendendo a classificação dessas aplicações (nível 3, nível 2, nível 1 e aplicativos não web) e quais inovações tecnológicas existem, como o AJAX, o novo Javascript associado ao XML e xmlHttpRequest. Mas isso é tema para um próximo encontro.
* Kleumer Siqueira é Gerente de Serviços da Microsoft Brasil.
Referências:
Stowe Boyd, "Are You Ready for Social Software?"
Tim O’Reilly, “What Is Web 2.0” |