Informativo Camara-e.net - 07/julho

Você está recebendo a newsletter da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico com informações semanais relacionadas à Economia Digital no Brasil e no mundo.

Nas próximas semanas teremos a cerimônia de posse dos membros dos Conselhos Administrativo e Consultivo, eleitos em Assembléia no começo de junho.

O início desses novos mandatos representam, para nossa entidade, um recomeço, revigorado, das atividades institucionais que a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico vem construindo desde sua fundação, em maio de 2001. Na verdade, neste nosso processo político-institucional e/ou político-empresarial, o trabalho de auto-análise e de constante adequação permeiam toda e qualquer atividade associativa, norteando a persecussão de nossa missão e a atualização de nossos mais importantes objetivos comuns.

Nesse sentido, o novo Conselho Consultivo terá papel fundamental na formulação de nossas estratégias de atuação e sobre os principais temas que concentraram nossos esforços em termos de políticas públicas, regulatórias e de mercado para a Economia Digital no país.



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A entrevista desta semana é com Adama Samassékou, Presidente do Comitê Preparatório da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, Presidente da Academia Africana de Línguas e Primeiro-Ministro da Educação em Mali. Samassékou esteve no Brasil, durante o Seminário Internacional da Sociedade da Informação, realizado durante todo o mês de junho no Rio de Janeiro.

Quais as principais metas da Sociedade da Informação?

A tecnologia da Informação e da Comunicação está fundamentalmente mudando o nosso modo de vida, de aprendizado e de trabalho, alterando as estruturas tradicionais de poder, modificando paradigmas políticos, econômicos e sociais e remodelando a educação, a mídia e a vida cultural. Infelizmente, para a maior parte da humanidade, a era da informação está longe de sua realidade. A maioria dos países do Sul encontra muitas dificuldades em se conectar a um telefone normal para navegar na Internet; o que contrasta com o pátio do Norte, em particular com os países mais industrializados - onde 91% do total de usuários da Internet se conectam, mesmo representando somente 19% da população mundial.


Por esta razão, uma das principais metas da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação é analisar os meios de levar esta revolução do serviço de desenvolvimento humano a todos, dirigindo-a não somente à divisão digital, mas também, e acima de tudo, a todas as divisões econômicas e sociais assegurando que as novas tecnologias reduzam as disparidades e desigualdades ao invés de fomentá-las.

Quais são as questões principais de interesse da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação?

As principais questões da Cúpula são converter efetivamente a divisão digital em oportunidades e perspectivas para todos, especialmente para a grande maioria da população mundial que vive em países do Sul, bem como promover uma conexão entre oportunidades digitais e a conclusão das Metas de Desenvolvimento do Milênio dentro do prazo estabelecido para 2015. Logicamente, sem a disseminação e o uso inovador das Tecnologias de Informação e Comunicação, as Metas de Desenvolvimento do Milênio podem se mostrar incapazes de terem êxito.

Igualmente, queremos evitar o possível recuo entre nações desenvolvidas e nações em desenvolvimento na área de políticas públicas e governo global na Sociedade da Informação, afinal sem a inclusão completa do Sul na construção da Sociedade da Informação, sua própria razão de ser é colocada em risco.

Também gostaríamos de promover uma diversidade cultural e lingüística, já que esta herança é a riqueza das populações e bens públicos globais por excelência.

O objetivo, em síntese, é alimentar as condições para que, através de um longo percurso, nenhum componente de nossa sociedade seja excluído da Sociedade da Informação.

Que fatores justificam a realização da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação justamente neste dado momento?

Nós adentramos em um período excelente, no qual a emergência de novos modelos de negócios para parcerias oferece um grande potencial. Podemos observar modelos de parceria entre múltiplos integrantes adotados pela força-tarefa da Oportunidade Digital (DOT Force), pela força-tarefa das Nações Unidas sobre Tecnologias da Informação e Comunicação para a América Latina e Caribe, pela Parceria Global de Conhecimento (GKP), entre outras. No meu próprio continente, nós podemos notar o modelo da Nova Parceria para o Desenvolvimento da África (NEPAD) que visa atingir uma melhor prática e administração a nível regional, com um foco específico na Tecnologia de Informação e Comunicação para o Desenvolvimento, baseado nas Metas de Desenvolvimento do Milênio.

Que atitudes concretas já podem ser realizadas em vista dos objetivos da Cúpula?

Há algumas diretrizes de referência a serem implementadas por todas as cidades, tais como a instalação de um centro de telecomunicações até 2010, a possibilidade de conexão até 2010 e de uma comunidade de pontos de acesso até 2015. As universidades devem ser conectadas até 2005, todas as escolas secundárias até 2010 e todas as escolas primárias até 2015, enquanto todos os hospitais devem ser conectados até 2005 e centros de saúde até 2010. 90% da população mundial deve possuir cobertura de conexão sem fio até 2010 e 100% até 2015 e todos os departamentos de governos centrais devem possuir um website e um endereço de e-mail até 2005 e todos os departamentos de governos locais até 2010.

Além disso, queremos desenvolver e-estratégias nacionais para todos os países dentro de três anos, além de lançar um “Compacto Digital Global”, como um novo padrão para as parcerias e interações entre atores governamentais e não-governamentais e elaborar o Índice de Desenvolvimento da Tecnologia da Informação e Comunicação, a ser publicado em um Relatório de Desenvolvimento da Tecnologia da Informação e Comunicação, no qual o ranking de países será acompanhado por um trabalho analítico sobre políticas e sua implementação.

Também pensamos na elaboração e lançamento durante a fase da Cúpula em Genebra de um “Manual de boas práticas e histórias de sucesso”, como uma síntese das contribuições de todos os integrantes. Os países devem treinar profissionais de conteúdo oriundos dos Países em Desenvolvimento, como arquivistas, bibliotecários, cientistas, professores e jornalistas. Queremos revisar o currículo das escolas primárias e secundárias em todos os países, em três anos, para reunir os desafios da Sociedade da Informação e criar as condições técnicas necessárias (software e hardware) para disponibilizar todas as línguas do mundo para serem usadas na Internet.

O que é necessário para a implementação de tais medidas?

São necessários iniciativas locais e conteúdo local. Parcerias público-privado desempenham um papel-chave na promoção do 4D Tecnologia da Informação e Comunicação, dada a escala dos recursos necessários. É imperativo o incentivo do setor privado a prover a infra-estrutura da Tecnologia da Informação e Comunicação e o acesso requer um papel ativo dos governos e parceiros financeiros.






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